
No universo do cangaço, onde a figura masculina de Lampião domina o imaginário popular, surge a “pequena” Maria Bonita.
O livro “Lampião e Maria Bonita”, de Wagner Gutierrez Barreira, nos convida a mergulhar num cenário árido, que mostra o dia a dia dos cangaceiros. Contudo, o que chama atenção é a história de amor e vida de Maria Bonita, cujo nome real era Maria Gomes de Oliveira

Maria Bonita desafiou as convenções de sua época. Ela não foi apenas a mulher de Lampião, mas uma figura central que, com sua inteligência e personalidade marcante, trouxe mudanças significativas para o bando.
Ela foi a primeira mulher a se juntar ao grupo por escolha própria, rompendo com as regras e mostrando uma ousadia notável. Sua presença não só humanizou o cangaço, mas também abriu espaço para outras mulheres, mesmo em um ambiente tão hostil.
Foto de Benjamin Abrahão Botto, de 1936.
Para Lampião, Maria Bonita era mais do que uma parceira; era um amor genuíno, um porto seguro em meio à aridez do sertão e à violência da vida cangaceira. A relação deles, apesar das adversidades, foi marcada por uma doçura que contrastava com a brutalidade do cotidiano.
Ela era respeitada e sua opinião valorizada, chegando a contribuir com estratégias para o grupo. Maria Bonita foi, sem dúvida, a personificação da coragem feminina em um mundo dominado por homens.
Uma citação que ilustra a personalidade forte de Maria Bonita, encontrada em trechos do livro, é quando, após Lampião sugerir que ela matasse a filha recém-nascida por estar atrapalhando o bando, ela “quebrou uma cabaça de água na cabeça de Lampião”. Essa passagem revela que Maria Bonita não era submissa, mas uma figura de temperamento forte que Lampião não ousava desafiar.
A trágica história de amor de Lampião e Maria Bonita chegou ao fim em um ataque surpresa da polícia em 28 de julho de 1938. O casal foi morto na grota de Angico, no estado de Sergipe. Maria Bonita, alvejada nas costas, ainda tentou escapar, mas foi degolada ainda viva. As cabeças de Lampião e dos outros dez cangaceiros mortos foram decepadas e exibidas como troféus.
Após serem submetidas a exames forenses, as cabeças foram expostas ao público em uma exposição permanente que durou até 1969. A morte brutal e a profanação de seus corpos solidificaram a lenda de Lampião e Maria Bonita na memória popular.
E você? Já leu este livro? Se ainda não, clique no link abaixo: